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Espelho Meu

Espelho Meu

Hoje sorri por ti, avô...

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 Diz-se por aí que hoje é o Dia Mundial do Sorriso. Hoje lembrei-me de ti... E sorri quando imaginei as tuas mãos agarradas às minhas, pela última vez... Estavam pálidas mas tão macias. Olhas-te para mim e deste-me força. E eu não imaginava que seria a última vez que podia olhar para ti ainda com esse coraçãozinho mole a bater. Tu sorriste para mim e apertaste a minha mão com toda a tua força, sempre tiveste tanta força dentro de ti! Ironia do destino não é? Quatro dia depois da tua partida, é dia de sorrir... E eu sei que era isso que tu mais querias! Vamos cumprir com isso, promessa feita!

 

Sabes? No dia em que nos deixaste, eu ia visitar-te. Ia contar-te que entrei na faculdade, e tu ias sorrir enquanto o teu peito se enchia de orgulho. Ia levar-te o jornal como tinhas pedido para estares informado sobre as notícias das eleições. Ia dar-te um beijo e rezar para que não fosse a última vez.. Mas não consegui, já não fui a tempo. Este maldito bicho não te deixou continuar junto a nós. Tem levado tanta gente boa... levou o meu guarda costas, aquele que está aí em cima junto a ti a iluminar esta noite... e agora também te levou a ti.

 

"Vô", ainda tinha alguém para chamar de "vô". Mas agora tu também partiste, para um lugar onde brilhas ainda mais. Vamos ter saudades tuas, saudades da tua presença, saudades até do teu mau feitio (eu sempre desconfiei que tinha de sair a alguém, não é verdade?).

 

Tento pronunciar só mais uma vez esta palavra que tanta saudade traz para agradecer a pessoa que foste para mim e para todos nós... Vô, muito obrigada por tudo

Carta de Despedida

Hoje fui ver o mar. Fui até àquela praia onde costumávamos ir nas férias. Assim que cheguei imaginei que estavas ao meu lado, a correr atrás das bolas de berlim enquanto me ameaçavas mandar para água se te atirasse mais um único bago de areia que fosse. Eu provavelmente ainda estaria rabugenta porque na noite anterior tínhamos ido até ao bar da praia já depois das nossas duas bolas de gelado num cone (sempre diferentes para provarmos todos os sabores) e de umas voltinhas nos carrinhos de choque. Lembraste de quando deixei o meu telemóvel cair no meio da pista e tu saltaste para o meio daquela confusão para o salvares? – “Não me voltes a fazer isto!” – foi o que me respondeste. E quando me davas na cabeça por passar os dias a estudar? Ah, e que tamanhas saudades daquelas noites de calor, na casa do Norte, que enchiam o nosso quarto de mosquitos e ai de mim que os matasse! Recordaste de quando me davas o teu chapéu em troca da minha máquina fotográfica? E por falar no teu chapéu… esse ficou comigo sabes? Eu sei que sabes! Pedi-o à tua mãe no dia de manhã antes da tua partida, mal sabíamos que horas depois estaríamos a receber a pior notícia da nossa vida. Ai, a tua mãe… tu sabes bem como ela está, gostava tanto de ti… nós prometemos-te que iríamos cuidar dela, e não te vamos falhar com essa promessa!

 

Espero que tenhas visto as horas da tua despedida.

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