Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Espelho Meu

Espelho Meu

Sou eu, avó...

IMG_20180810_162243.jpg

 

11 de março de 2019:

- E esta menina, quem é? - perguntou uma das trabalhadoras do lar.

- É minha - respondes.

- Tua quê?

- Filha!

- E como se chama?

- Teotónio.

 

Foi assim na última visita.

 

São 19h38 e por esta hora eu costumava estar em chamada contigo. Falávamos todas as noites. Às vezes ainda olho para o relógio e, por breves instantes, penso: "está na hora de lhe ligar". Porque é que não atendes, avó? Sou eu, a tua neta. Espero que ainda saibas quem eu sou. Será que só te recordas da minha imagem ou lembras-te de tudo aquilo que nós vivemos?

Já passaram vários meses. E eu tenho para aqui uns quantos textos guardados nos rascunhos do meu blog. Provavelmente este será só mais um que ficará perdido. Eu pensei que fosse tudo passageiro. Estava tudo bem... Fui visitar-te, dançámos juntas e na semana a seguir o que é que aconteceu? Sentes-te perdida no meio de todos aqueles que estão a cuidar de ti. Eu sinto-me perdida ao tentar acreditar ainda te posso ligar para contar o meu dia. Atendes-me, avó? O teu telemóvel está desligado há meses. Ainda guardo o teu contacto na minha lista telefónica. Eu sei que um dia destes ainda te vou ligar a dizer "estou a sair de casa, espera por mim no café".

Os meus problemas eram sempre teus também. Eu esperava para receber uma nota e partilhávamos essa ansiedade. Lembras-te de quando entrei para faculdade? Disseste "ai, filha... o teu avô ia ficar tão contente". Eu sei que ele ficou. Tal como ficará com todos os meus sucessos. Tal como me ajudará a levantar em todos os meus fracassos. Será que ainda vais ouvir "avó, estou licenciada"? Oh, minha avó. Eu preciso de falar contigo. Quero saber como correu o teu dia e dizer-te que estou bem.

Na semana passada pregaste-nos um susto. Chorei quando soube que tinhas ido outra vez para o hospital. Não aguentei este aperto que tenho sentido nos últimos meses. Hoje o jantar é peixe cozido. Podes fazer o meu prato com tudo misturado e muito azeite por cima? Era assim que tu fazias. Não era, avó? Os papéis inverteram-me. Deixa-me cuidar de ti...

 

19 de abril de 2019:

Nunca mais escrevi desde este último texto. Ficou aqui perdido como tantos outros. Já não vou a tempo de o terminar. Faz hoje um mês desde que nos deixaste. Algum dia vou aceitar que já não estás aqui para me ouvir?

Estive um mês sem escrever. Tenho sempre tanto por dizer. Porque é que desta vez não consigo dizer-te aquilo que sinto? Não consigo aceitar. Tenho perdido muitas pessoas nestes últimos anos. Porque é que tinhas que me deixar também? Sinto uma revolta enorme. Minha avó. Querias tanto ver-me a acabar o curso. Querias ver-me feliz. O meu sorriso brilhava nos teus olhos. E tu brilhas ali em cima. Mandaste um beijinho ao avô? Eu pedi-lhe que te ajudasse. Olhei tantas vezes nos teus olhos e pedi que voltasses a ser tu. Porque é que não voltaste? Porque é que não voltas agora? Eu dou-te a sopa. Eu ajudo a cuidar de ti. Das últimas vezes em que te fui visitar a enfermeira passou-me o almoço para a mão e pediu que te desse a comida à boca. Senti frio e calor ao mesmo tempo, o meu coração acelerou, não controlei algumas lágrimas. Peguei na colher e disse-te que tinha sido eu a fazer. Disseste que estava bom. Numa situação normal tinhas soltado uma gargalhada e dizias "não foste nada". Lembrei-me de quando eras tu a dar-me o almoço. Foi assim que começou, não foi? Cuidavas de mim todos os dias porque os pais trabalhavam e a "casa da costura" era o melhor sítio para eu ficar. Obrigada por isso. Obrigada por tudo. Obrigada, minha avó.

Tenho sido muito forte. Deixaste-me a força que tinhas. Eu aguento, avó. Por nós. Mas hoje só quero que venhas aqui para me abraçar. Preciso de ti.

 

Lembras-te de mim? Sou eu, avó....

 

 

Com vista para o Tejo | Parque das Nações

2018-02-24 12.04.21 2.jpg

 

Chegou a última semana de férias e por isso quis aproveitá-la ao máximo!
Já fui imensas vezes passear ao Parque das Nações mas nunca tinha experimentado andar no teleférico. Confesso que ao início fiquei um pouco reticente, mas pior do que o teleférico do Jardim Zoológico não podia ser (pelo menos neste caso não tinha hipótese de cair em cima dos leões ou coisa assim). Lá fui eu tirar umas fotografias e aproveitar a vista linda desta cidade!

 

2018-02-24 12.04.21 1.jpg

 

Sou cada vez mais apaixonada pelo nosso país! De norte a sul, temos tantas paisagens e lugares magníficos para descobrir.

 

Para quem não conhece, aqui ficam mais sugestões de sítios para visitar no Parque das Nações:

 

 

Molly, a nova mascote

2018-02-18 07.37.10 1.jpg

2018-02-18 07.37.11 1.jpg

 

Sabem aquela sensação de chegar a casa e ter sempre alguém à nossa espera? Recebermos tantos mimos depois de um dia de faculdade ou de trabalho, com tanto cansaço acumulado, é das melhores coisas.

 

Chama-se Molly, tem 4 meses e pouco mais de 1kg. É uma chiuaua e foi a melhor coisa que podia ter acontecido nos últimos tempos! É a primeira a receber-me quando chego a casa e fica quase sempre a chorar quando a deixamos sozinha. Tem sempre muito frio e por isso o seu lugar preferido é no nosso colo, por baixo da manta.

 

Estou completamente apaixonada!

Agora sinto-me muito mais feliz!

c7cca67b1af447221ec28d50301687e3.jpg

 

Tinha medo de estar sozinha. Se ia ao centro comercial, as compras não se prolongavam. Não conseguia estar em espaços fechados. Tinha tonturas, ficava mal-disposta, sentia-me mesmo muito mal! Passei a não querer sair, nem com os meus melhores amigos. Inventava várias desculpas e acabava sempre por preferir ficar em casa. Não conseguia respirar bem. Achava eu que me ia faltar o ar. Algumas idas ao médico por dores no peito, tonturas, faltas de ar. Sempre muito inconstante: ora agora quero isto, ora agora quero aquilo. Qualquer coisa que me dissessem ou me deixava ainda mais triste ou fazia com que eu explodisse. Chorei muitas noites, simplesmente por não me sentir bem comigo mesma. Deixei de ter vontade de ir à escola. Queria estar no meu canto, mas sempre com alguém por perto para que me sentisse segura. Tentava superar todos meus medos, tentava superar-me a mim mesma. Eu queria sentir-me bem, queria fazer aquilo que todas as pessoas da minha idade faziam. Queria divertir-me e não ter grandes preocupações. Mas a verdade é que não conseguia, não sozinha. Passaram-se vários meses, tudo se arrastava e não havia melhoras.

 

Era dia de sair da minha zona de conforto e lá ia eu. Tentava mais uma vez, mas não conseguia. Não havia volta a dar e eu precisava mesmo de ajuda. Tinha medo. Sim, era medo. Mas não me perguntem de quê. As pessoas mais próximas de mim tentavam perceber-me e queriam perceber aquilo que se passava. Na verdade, eu também queria.

Alguém muito importante na minha vida teve uma conversa comigo. Aí percebi, eu precisava mesmo de ajuda. E lá fui eu lutar por aquilo que mais queria: ser feliz sem medos.

 

A primeira consulta de Hipnoterapia estava marcada. Li tudo o que havia para ler na internet e vi vídeos sobre o assunto. Aquela história de me “deixarem a dormir” era algo assustadora, mas lá fui eu. O diagnóstico era o esperado: sofria de ansiedade e ataques de pânico. Depois de algumas consultas sentia que tudo estava a melhorar. Comecei a sair outra vez, sentia-me muito mais calma e na minh cabeça já não era tudo um problema.

Poucas pessoas souberam das minhas idas a estas consultas. Talvez por vergonha ou por receio do que pudessem dizer, não sei. As que souberam faziam-me perguntas. Queriam perceber como é que se ficava “hipnotizada”. E se me perguntarem novamente, nem eu sei. É preciso passar pela experiência para perceber mesmo. Mas hoje, não tenho vergonha de dizer que precisei de ajuda. Hoje sinto-me orgulhosa por ter conseguido tornar-me numa pessoa muito mais calma.

 

Aceitar a ajuda dos outros por vezes é ainda mais difícil do que ajudar. Mas acreditem, vale mesmo a pena. Não pensem que são os únicos a sentirem-se assim. Existe uma solução para estes problemas e eu aprendi isso neste último ano.

 

Eu aceitei a ajuda do meu psicólogo hipnoterapeuta e tive ajuda das pessoas próximas de mim. Mas se hoje consigo ser uma pessoa melhor, devo-o a alguém muito especial. E eu sei que essa pessoa vai ler isto e vai saber quem é. Já lhe agradeci muitas vezes, mas quero agradecer mais uma vez por me arranjado uma solução. Por todas as vezes em que acreditou que eu ia conseguir. Por todas as vezes em que me acompanhou nas consultas e por todas as suas mensagens e as palavras que tanto me reconfortaram.

 

A verdade é que fiz um esforço enorme. Percebi que estava na hora de mudar. E consegui! Passaram-se alguns meses e eu estou realmente diferente. Agora sinto-me muito mais feliz!

Sobre mim

foto do autor

Subscreve-me

Blogs Portugal